top of page

Bem vinde

Atualizado: 24 de mai. de 2022

VOCÊ PODE OUVIR O TEXTO NA VOZ DA ESCRITORA

clique abaixo




esquizoanalise

“O pintor não pinta sobre uma tela virgem, nem o escritor escreve sobre uma página branca, mas a página ou a tela estão já de tal maneira cobertas de clichês preexistentes, preestabelecidos, que é preciso de início apagar, limpar, laminar, mesmo estraçalhar para fazer passar uma corrente de ar, saída do caos, que nos traga a visão.”

- Deleuze e Guattari, O que é a filosofia? São Paulo, Editora. 34, 2010, pag. 240.


nem se cria um projeto como o affektus sem antes passar por um processo de raspagem de toda craca trazida por navios colonizadores e que atracou pra cá, nem se cria um projeto que visa extrair diferença com tanta referência, com tantas repetições, com tantos pressupostos...a verdade é que esse projeto, assim como uma casa é inacabado e sempre será.


Definimos ele e apostamos numa anti-definição, definimos porque estamos sujeitos a sermos compreendidos macropoliticamente, porque estamos também alienados das redes sociais, do dinheiro e da máquina capitalista, mas o que miramos é sempre uma via negativa (desfazer desses aprisionamentos) a medida que também é positiva (criar novas realidades mais libertas).


Pensar esse projeto foi um longo processo e acredito que ele seguirá se modificando a medida que vai se agenciando, se ligando a outros projetos, outras pessoas, textos, vídeos, histórias...


Eu já havia criado anteriormente outros projetos como o quintal terapêutico e depois só o quintal, já havia proposto textos, posts, cursos, laboratórios, vídeos e muitas outras atividades, mas nunca tinha conseguido colocar com tanta clareza a minha estética, um posicionamento ético e também a dose de política que embala a todos nós.


Eu tinha agora uma questão em aberto. Porque criar mais um projeto? Porque ir adiante mesmo tendo antes decidido focar na clínica e em outras coisas da vida?


Acontece que poucos meses depois eu me vi pensando em novas possibilidades, em novos modos de experimentar conceitos, me vi cheia desejos que precisavam de caminhos para escoar antes que meus poros se entupisse.


Eu percebi que talvez eu realmente consiga ver forças em agenciar, promover encontros, fazer alianças, criar grupos e promover trocas, mas eu sempre fui instigada por algo em mim a criar espaço onde eu possa fazer ecoar a minha voz e fazê-la se encontrar com outras vozes. No entanto, confesso, meu ego apegada a uma imagem me afastou de tudo isso e por isso fui criando espaço para outras vozes enquanto a minha ficava timidamente escondida se alegrando nas vozes dos outros.


É claro que isso foi uma força, um modo de vida interessante e o que é mais interessante nisso tudo é que promover cursos e eventos para outras pessoas foi uma espécie de ensaio e criação de repertório. Esse mesmo que agora, ao criar o affektos eu preciso raspar.

Viu? Realmente não há telas em branco a priori. Eu tenho história, até a tela, tem história. E sua história? E seus projetos? Não seria interessante começar a fazer uma raspagem? Apagar? Limpar?


Esse texto funcionou assim também. Eu escrevi, não gostei e apaguei. Agora estamos aqui tentando finalizar, claudicante. Meu tio Claudio, o poeta, aquele que me ensinou a escrever poesia achara tanta graça nessa palavra CLAUDICANTE...escrever poema é claudicar, vacilar...criar um projeto novo é vacilar.

Olha...a única promessa que voz faço a respeito do affektos é de que vou vacilar. Mesmo com disciplina, mesmo com persistência, mesmo com uma direção ética...talvez são só os claudios poetizam a vida. Prometo poemas...é isso...tudo isso.


COMPARTILHO AQUI UM PRESENTE QUE GANHEI




Gratidão pela leitura

seja bem vinde!





23 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo